Técnica torna a vagina mais funcional ao proporcionar maior profundidade e calibre em comparação com a atual


Três pacientes do Espaço de Acolhimento e Cuidado de Pessoas Trans e Travestis do Hospital das Clínicas da UFPE passaram por uma cirurgia inovadora de neovaginoplastia, que amplia o canal vaginal utilizando a pele de tilápia do Nilo, nos últimos dias 27 e 28. O procedimento é uma pesquisa clínica da Universidade Federal do Ceará (UFC). O objetivo é tornar a neovagina mais funcional com maior profundidade e calibre, gerando impacto positivo sobre sexualidade, autoimagem genital e corporal, satisfação e qualidade de vida da paciente.

 

“Desde 2017 estamos empreendendo a pesquisa com uso de pele de tilápia para reconstrução do canal vaginal na UFC. Mais de 50 casos já foram realizados com a correção do distúrbio de agenesia vaginal, que é a ausência congênita de canal vaginal, chamada Síndrome de Rokitansky. A pele de tilápia liofilizada funciona como um arcabouço para crescimento e proliferação celular, criando um canal vaginal”, explica o Professor de ginecologia da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC) e professor da UFC, Leonardo Bezerra, que desenvolveu a técnica e participou das cirurgias, compartilhando o conhecimento e treinando a equipe do Espaço Trans.



A ginecologista do HC Aleide Tavares explica como o hospital, uma das referências nacionais em cirurgias de afirmação de gênero, participa do estudo sobre a técnica. “Vamos usar a pele de tilápia nas próximas cirurgias realizadas aqui no HC, ao longo de um ano, acompanhando a evolução da adaptação da pele de tilápia e o grau de satisfação das pacientes com essa possibilidade de uma melhor funcionalidade da vagina”, afirma.


O HC é parceiro do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC na pesquisa que tem três vertentes: o uso da técnica nas cirurgias para correção de agenesia vaginal (síndrome de Rokitansky); a reconstrução do canal vaginal em mulheres que fizeram radioterapia; e o alongamento do canal na cirurgia de afirmação de gênero.

 

“Nossa hipótese é que o uso da pele de tilápia possa promover um canal vaginal fisiologicamente melhor: mais longo, largo, elástico e funcional para a relação sexual. Esse é um dos grandes problemas da técnica atual, que utiliza a inversão da pele do pênis, limitando a dimensão do canal vaginal. Outra grande vantagem é ser uma prótese biológica de baixíssimo custo e segura por não ter infecção cruzada nem contaminação por ser estéril”, comenta Leonardo Bezerra.

 

O pesquisador pontua que o aproveitamento da pele de tilápia no alongamento do canal vaginal pode ser realizado tanto para o tratamento das complicações da cirurgia de afirmação de gênero (chamadas secundárias), como o fechamento do canal; quanto para as cirurgias primárias de afirmação de gênero, evitando a possibilidade de procedimentos corretivos. No HC, foram realizadas duas primárias e uma secundária.

 

Pioneirismo

Em dezembro de 2024, foi realizada a primeira neovaginoplastia com pele de tilápia, numa paciente trans, no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), adaptando a técnica que já é utilizada com eficácia comprovada no tratamento de queimaduras e na reconstrução do canal vaginal em pacientes com síndrome de Rokitansky e câncer.

 

Sobre a HU Brasil
O HC-UFPE integra a Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.


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