Em entrevista à Afogados FM, pré-candidato ao governo de Pernambuco questiona promessas da atual gestão, contrasta paralisia estadual com entregas no Recife e antecipa o tom do embate para o Palácio do Campo das Princesas.
O Sertão do Pajeú tornou-se o palco de mais um duro embate na corrida antecipada pelo Governo de Pernambuco. Em entrevista concedida ao radialista Wellington Rocha, em cadeia para a Afogados FM e Rádio Pajeú, o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo, João Campos (PSB), fez críticas contundentes à capacidade de execução da governadora Raquel Lyra (PSDB). O foco central das estocadas foram as obras de infraestrutura viária e a rede de educação, áreas que prometem ser os principais campos de batalha eleitoral deste ano.
A provocação que acendeu o estopim da crítica foi a promessa do governo estadual de duplicar a BR-232, no trecho entre São Caetano e Serra Talhada — uma obra histórica e vital para o escoamento e desenvolvimento do interior pernambucano. Questionado se a obra "sairia do papel", Campos foi cirúrgico e apostou na descrença gerada pelo ritmo da atual gestão.
"Se fosse verdade, nesse governo já tinha saído pelo menos um metro dessa duplicação. Se em três anos e quatro meses um único metro de terraplenagem, de asfalto, de pavimentação não foi feito na 232 [...] eu não acredito", disparou o pessebista, classificando o anúncio como uma "promessa para convencer as pessoas em tempo de eleição".
Ao ser indagado se o projeto seria prioridade em um eventual governo seu, Campos evocou o legado do pai, o ex-governador Eduardo Campos, afirmando que "o patrimônio político é a palavra" e garantindo que a obra será feita. Para o ex-prefeito, o tempo decorrido da atual gestão estadual seria mais do que suficiente para, no mínimo, elaborar projetos executivos e inaugurar etapas. "Não ter a ligação entre duas cidades, não ter um metro de duplicação, isso não é factível", sentenciou.
A estratégia retórica de João Campos durante a entrevista foi clara: estabelecer um contraste direto entre o que ele aponta como "paralisia" do Governo do Estado e a sua "capacidade de entrega" enquanto prefeito da capital.
Para rebater a tese de que obras complexas demoram, ele listou seus próprios feitos no Recife, citando obras que estavam travadas há anos, como a ponte Monteiro-Iputinga — que, segundo ele, a população brincava ter uma "cabeça de burro enterrada" — e a ponte Areias-Imbiribeira, orçada em mais de R$ 130 milhões. Ele também fez questão de mencionar a construção do Hospital da Criança, UPAs e unidades de saúde.
O ponto mais alto da crítica, no entanto, ocorreu na área da educação, tradicional vitrine dos governos do PSB. Campos elogiou o ex-secretário estadual de Educação, Danilo Cabral, para em seguida fulminar a gestão tucana: "Nesses últimos três anos e quatro meses, não tem uma sala nova de educação técnica profissional no estado de Pernambuco. Nenhuma escola inaugurada. Isso mostra uma falta de prioridade".
O ex-prefeito então trouxe à tona os números da educação infantil, mirando o prefeito de Afogados da Ingazeira, Sandrinho Palmeira, a quem se referiu durante a fala. Campos expôs uma matemática incômoda para o Palácio do Campo das Princesas, apontando que, das 250 creches prometidas por Raquel Lyra, apenas 3 teriam sido entregues.
"Dá 1,5% da promessa. Imagina qualquer compromisso que você faz e você honra só 1,5% [...]. Qualquer pessoa acharia que era uma brincadeira", ironizou.
Mais uma vez, ele usou sua gestão no Recife como parâmetro. Campos relembrou que assumiu a cidade com pouco mais de 5.400 vagas em creches construídas em quatro décadas, e que, ao renunciar ao cargo, deixou o Recife com 19.900 vagas, tendo criado mais de 12.900 novas vagas e construído 107 creches.
"Existem 184 cidades em Pernambuco. Em 140 delas, se você somar toda a rede de educação básica (municipal e privada, de creche a ensino médio), tem menos de 12.000 alunos. Eu construí, em cinco anos e três meses, só de creche, mais vagas do que toda a rede de 140 cidades na história", detalhou.
O encerramento de sua fala na rádio pautou o tom da sua campanha: "Isso é trabalho, não é conversa. Conversa bonita é muito fácil a gente arrumar um bocado de gente que saiba falar e contar história".
A entrevista de João Campos em Afogados da Ingazeira deixa claro o eixo narrativo da oposição para as eleições estaduais. O pessebista tentará carimbar em Raquel Lyra a imagem de uma gestora de "conversas bonitas" e promessas não cumpridas, enquanto tentará se consolidar como o candidato da "execução e das obras prontas". Resta saber como o Palácio do Campo das Princesas reagirá a essa ofensiva no coração do Sertão.


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