Recife promoveu plantio de milho em associação voltada ao cuidado e à convivência de pessoas idosas

Ação da Secretaria Executiva de Agricultura Urbana marcou início de área produtiva no espaço do Grupo de Idosos Eternos Aprendizes e integrou mutirões de plantio que celebram a tradição junina

O aniversário do Recife também foi celebrado com as mãos na terra. Na tarde da última quinta-feira (12), das 14h30 às 16h, cerca de 15 idosas do Grupo de Idosos Eternos Aprendizes participaram de um plantio coletivo de milho na sede da associação, no bairro de Apipucos, marcando o início de uma área de cultivo no local. A atividade foi realizada pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria Executiva de Agricultura Urbana (SEAU), e integrou a programação de mutirões de plantio que acontecerão ao longo de março em diferentes bairros da cidade.

A associação, que existe há mais de duas décadas na comunidade, reúne hoje mais de 50 integrantes e funciona como um importante espaço de convivência, troca de saberes e promoção do envelhecimento ativo. No local são realizadas oficinas, formações, atividades de arteterapia, podologia, palestras e celebrações comunitárias, fortalecendo os vínculos entre os moradores e oferecendo diversas atividades voltadas principalmente para o público idoso.

A ação realizada na quinta-feira foi a segunda atividade da Secretaria Executiva de Agricultura Urbana no espaço, mas a primeira dedicada ao cultivo de alimentos. Nos dias anteriores, a equipe técnica preparou dois grandes canteiros para receber o plantio, permitindo que as participantes realizassem a etapa mais simbólica da atividade: colocar o grão de milho na terra, cobrir e regar, iniciando o ciclo de produção.

A iniciativa também respeitou o ritmo das participantes. “Como são pessoas idosas, pensamos numa atividade leve, mas muito significativa. A ideia é que cada uma plante seu grãozinho, participe desse momento e acompanhe o crescimento do milho até a colheita”, explicou o técnico em Agricultura Urbana da SEAU, Pedro Bandeira.

A participante do curso Elena Souza, 66 anos, destacou a importância da atividade para o grupo, formado em grande parte por pessoas com origem no interior e ligação com o cultivo da terra. “A maioria dos nossos componentes tem um pé na roça. A gente gosta de ter uma muda em casa, uma fruteira, mas muitas vezes não tem espaço para cultivar”, contou. Segundo ela, a experiência de plantio despertou memórias e afetos ligados às origens. “Foi muito interessante porque fez a gente lembrar e voltar às origens.”

Elena também ressaltou o valor coletivo da iniciativa, que permitirá ao grupo ocupar um espaço que aguardava uso e acompanhar todas as etapas do cultivo. “A gente vai ver germinar, acompanhar todo o desenvolvimento e colher o mais importante, o milho e o feijão”, disse. Para ela, o trabalho em conjunto será fundamental. “Vai ser um trabalho coletivo. Vamos adubar, cuidar e dividir tudo juntos. Isso é muito importante para a gente ver realmente o que está brotando da nossa terra.” 

O plantio integrou uma tradição nordestina que marca o calendário agrícola e cultural da região: plantar milho antes do Dia de São José, celebrado em 19 de março. Segundo a crença popular, se chover nesse dia, a colheita será farta para as festas de São João. A expectativa é que o milho plantado agora esteja pronto para colheita no período junino. Até lá, a área verde da associação também deverá ser ampliada com novos cultivos e outras espécies, fortalecendo o espaço como um pequeno núcleo de agricultura urbana dentro da comunidade.

“Além de valorizar as tradições do Nordeste, esses mutirões também incentivam a educação ambiental, mostram que é possível produzir alimentos dentro da cidade e fortalecem os espaços comunitários. A ideia é justamente aproximar as pessoas da terra, envolver moradores de todas as idades e estimular esse cuidado coletivo com o ambiente”, afirmou a secretária executiva de Agricultura Urbana do Recife, Adriana Figueira. Fotos: Sidarta Borges/PCR

Assessoria de Imprensa

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