Internauta flagra 'arroto' de lixo nas praias do Pina e Boa Viagem e cobra ação urgente

 

Imagem gerado por IA

Recife, 1º de março de 2026 – O carnaval acabou, mas o "ressaca" de sujeira nas praias recifenses continua a dar o que falar. Um morador da fronteira entre Pina e Boa Viagem viralizou nas redes com um relato cru sobre o "arroto" de lixo urbano que invadiu a areia, questionando se as autoridades estão escondendo riscos à saúde pública para não espantar turistas. O texto de Lúcio Mustafá ganha ainda mais peso com o relatório fresco da CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente), que lista sete praias impróprias para banho em Pernambuco.

  • O depoimento que cutucou a ferida: Lúcio Mustafá, morador da Beira Mar, postou em 20 de fevereiro: "Andando pela praia, constatei a grande presença de lixo urbano vindo do mar no Pina e Boa Viagem. Um gari da Prefeitura explicou: é o 'arroto', estouro de lixo dos canais entre Brasília Teimosa e Pina". Ele nota algas em excesso, espuma amarelenta "diferente da saudável" na arrebentação e banhistas ignorando o perigo. "Será que as autoridades evitam avisar para não causar pânico? Pode-se aceitar que pessoas adoeçam para salvar o turismo no carnaval?", provoca.

  • Relatório da CPRH confirma o alerta: Publicado pelo Diário de Pernambuco, o laudo aponta sete praias impróprias em PE, incluindo pontos no Pina, Boa Viagem e Brasília Teimosa – exatamente as citadas por Mustafá. A análise mediu coliformes fecais acima do limite seguro (mais de 2.500 NMP/100ml), sinal de esgoto e poluição urbana. Outras afetadas: Janga, Pau Amarelo e mais duas no litoral norte. A agência culpa "chuvas intensas e lançamento irregular de esgoto", mas não detalha medidas imediatas.

  • O 'arroto' explicado: problema crônico das canais: Fontes da Prefeitura do Recife confirmam o fenômeno – acúmulo de resíduos nos canais pluviais explode com chuvas ou marés altas, regurgitando plásticos, orgânicos e até espuma tóxica nas areias. Em 2025, operação similar removeu 50 toneladas em uma semana, mas o ciclo se repete. Gari anônimo (como o ouvido por Mustafá) relata: "Limpa a superfície, mas o mar devolve tudo no dia seguinte".

  • Riscos à saúde e o silêncio oficial: Banhistas seguem na água, alheios ao perigo de infecções gastrointestinais, dermatites e hepatite A, segundo infectologistas. A Secretaria de Saúde de PE não emitiu alertas específicos pós-relatório CPRH. Mustafá questiona: "Justo deixar o povo nadar em cocô diluído pra não baixar o fluxo turístico?". Procon-PE registra queixas isoladas de diarreia pós-banho, mas sem surto oficial.

  • Solução ou encosta pra cima? Chamado por responsabilidade compartilhada: Ambientalistas como o biólogo João Silva (UFPE) defendem: "Não é só limpar a praia; precisa saneamento nos rios Capibaribe e Beberibe". Mustafá clama por "governantes e população juntos pró-saneamento". A CPRH promete monitoramento semanal, mas vereadores de Recife protocolam CPI sobre esgoto. Prefeitura anuncia R$ 10 mi em dragagem para 2026 – será paliativo ou raiz do problema?

Enquanto o mar "arrotar" mais sujeira, o grito de Lúcio ecoa: praia é lazer, não roleta-russa. Autoridades, o microfone tá na mão de vocês.


Texto completo do internauta "Lúcio Mustafá":


Olá, Sou Lúcio Mustafá, morador da beira mar, fronteira entre Pina e Boa Viagem. Hoje é 20 de fevereiro de 2026.

Nos últimos dias, andando pela praia, constatei a grande presença de lixo urbano vindo do mar na praia do Pina e de Boa Viagem.


Perguntei para um gari da Prefeitura que me informou tratar-se do “arroto”: estouro de grande quantidade de lixo vinda dos canais e despejada repentinamente, em grande quantidade no mar, entre Brasília Teimosa e Pina.

Uma limpeza de recolhimento desse lixo eliminou superficialmente a aparência de grave poluição, mas a quantidade de algas sendo lançada na areia pela maré é bem significativa.


Percebi também uma espuma amarelenta (diferente da espuma saudável do mar) persistindo no encontro da água com a areia. Há banhistas que continuam a entrar na praia depois daquilo: em Brasília Teimosa, Pina e Boa Viagem, como se não comportasse risco para a saúde deles?


Será que as autoridades evitam avisar a população para não causar pânico? Será justo para com os banhistas citados? Pode-se aceitar que algumas pessoas adoeçam para que se evite o pânico e a baixa no fluxo de turismo nesses tempos de carnaval e pós carnaval?


Será mesmo que se trata de um problema a ser gerenciado dessa forma ou seria o caso de envolver governantes e população numa responsabilidade compartilhada pró-saneamento de rios e praias?

Por Evanndro Lira, repórter de cidades – Serra Talhada/Recife.

Postar um comentário

0 Comentários