Pátio de São Pedro encerra os festejos de Momo com noite apoteótica dedicada à música pernambucana


Entre frevo, coco, rock psicodélico e sonoridades afro-brasileiras, o último dia de festa reafirmou o pátio como um dos polos mais tradicionais e afetivos da cidade. O espaço foi, mais uma vez, território de memória, identidade e celebração popular, um encerramento à altura da grandiosidade do Carnaval do Recife


Nesta terça-feira gorda (17), último dia do Carnaval do Recife 2026, o Pátio de São Pedro foi um dos polos que encerraram a programação oficial da festa promovida pela Prefeitura do Recife. Ao longo da noite, o público acompanhou com o Som na Rural, os shows do Maestro Edson Rodrigues, Coco Raízes de Arcoverde, Afroito, Mombojó com participação de Vinícius Barros e Ave Sangria, com DJ Renato L nos intervalos, em uma celebração que enalteceu ainda mais a diversidade da música pernambucana no coração da cidade.



Um dos cenários mais simbólicos da cultura local, cercado por casarões coloridos do século XVIII e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Pátio reafirmou sua força como espaço de encontro de um futuro ancestral. Entre passos de frevo, rodas de coco e rock psicodélico, o local foi, mais uma vez, território de memória, identidade e celebração popular na despedida do Reinado de Momo.



O Maestro Edson Rodrigues, Patrimônio Vivo de Pernambuco e guardião do frevo, foi o primeiro a subir ao palco. Com mais de seis décadas de trajetória, o maestro, autor de “Roda e Avisa”, incluiu a canção no repertório da apresentação, ao lado de sua orquestra. Eternizada no programa do Chacrinha, a obra é um dos clássicos do frevo pernambucano.


“Olha, o frevo é a nossa música maior. É a música que faz a alegria do nosso Carnaval, que faz o povo pular. Eu me sinto feliz de, aos 83 anos, ainda estar aqui dando minha contribuição para levar o nosso frevo adiante. Parece que foi ontem que comecei e comecei com 16 anos. Diziam que o frevo ia acabar, que o Carnaval ia acabar, mas cada vez ele vem mais forte. Enquanto a gente estiver na rua, vai ter frevo, vai ter alegria, vai ter Carnaval”, declarou o Maestro Edson Rodrigues.


Diretamente do Crato (CE), Adriana Cavalcanti, 50 anos, conta que se encantou com o Carnaval da capital pernambucana desde a primeira vez em que participou dos festejos de Momo. “Frequento o Carnaval do Recife desde 2018 e não largo nunca mais. Hoje vim pra o Pátio especialmente para ver o Maestro Edson Rodrigues e o Som na Rural. Gosto muito desse espaço, é tranquilo, a gente consegue dançar e se divertir”, afirma.


Ao som da batida dos tamancos marcando o chão de terra, acompanhada por triângulo, pandeiro, surdo e ganzá, o grupo Samba de Coco Raízes de Arcoverde entrou em seguida, perpetuando a tradição da cultura popular nordestina e arrastando o público para a dança. Os brincantes abriram uma roda e fizeram o folguedo ganhar força no terreiro. Às 20h50, o cantor pernambucano Afroito subiu ao palco com uma sonoridade ancorada na ancestralidade e no afrofuturismo evidenciando as diferentes matrizes culturais de Pernambuco.


O italiano Benjamin Bumpus, 31 anos, veio ao Recife acompanhado de um grupo de dez amigos que moram em Manaus, Londrina e São Paulo, entre eles, pernambucanos que fizeram questão de trazê-lo para viver o Carnaval do Recife. O Pátio de São Pedro foi o local escolhido para que ele conhecesse de perto as diversas manifestações da cultura popular. “Estou adorando o Carnaval do Recife. Hoje foi a primeira vez na vida que assisti a uma apresentação de coco. Foi incrível! Até aprendi um passo”, contou, empolgado.


Um dos momentos mais aguardados da programação foi o show da Mombojó, que contou com a participação especial de Vinícius Barros e levou o público a cantar em coro, dos sucessos pernambucanos às músicas mais antigas do repertório, em uma apresentação tão vibrante que teve até roda punk em frente ao palco. À meia-noite, a Ave Sangria assumiu o comando para um encerramento apoteótico, reafirmando a força de um grupo que, surgido no início dos anos 1970, segue se reinventando e dialogando com diferentes gerações.  Um dos principais expoentes da cena psicodélica pernambucana, fez o rock ecoar pelo conjunto arquitetônico barroco ao som de clássicos como “Vendavais”, “Geórgia, a Carniceira”, “Seu Waldir” e “O Pirata”, marcando o último acorde do Carnaval do Recife 2026 com intensidade e simbolismo.


Fotos: Raynaia Uchôa/PCR
Assessoria de Imprensa

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